Realizei há pouco mais de uma semana a
Maratona Internacional de Curitiba, temida e desejada por muitos por ser a
pior(maneira de dizer), ou estar entre as mais difíceis dentre todas as
maratonas "normais" nesse nosso Brasil, quiçá pelo mundo afora.
Era um dia normal, mas pra mim começou bem
cedo. Às 3h30 da manhã meu celular despertava apontando a hora de sair da cama
e iniciar de fato a preparação para a prova. A certeza de que faltou bastante
treinamento me dava a tranquilidade acerca do que eu faria, ou seja, eu não
iria em busca de fazer uma super prova. Queria, no entanto, fazer o melhor
possível uma vez que ali me encontrara.
Às 4h30 saía de casa com destino ao local
de largada. Mais precisamente ao local reservado para as tendas de assessorias
pois ali começaria para mim e para muitos a corrida daquele domingo. Terminamos
a montagem e então bastava aguardar até que o momento de largada se
aproximasse. Das 5h00 às 7h00 ficamos ali de conversa, recepcionando alguns
alunos/atletas e então fomos para o portal.
Ali começou a bater aquele conhecido
friozinho no estômago, afinal todos apenas retornaríamos àquele ponto após
terminar os tão sonhados 42,195km. Partida da Elite, nos aproximamos e então
soou nossa sirene. Foi dada a largada, muito boa sorte a todos!
Quis começar um pouco mais forte para sair
do bolo logo no início, mas o receio de gastar uma dose a mais de energia me
fez recuar, então botei meu ritmo de prova desde bem cedo. Pelo segundo ou
terceiro quilômetro eu já estava buscando o conforto suficiente para ir até o
final daquele grande desafio. Aos 6km passamos outra vez próximos à largada, e
então deu pra perceber que, de fato, faltava muita coisa a fazer e o caminho
seria muito mais longo que o previsto.
Sete, oito, nove km e percorríamos um
trecho de certa forma conhecido, que fora o mesmo da meia maratona, em Agosto.
De 11 em diante tudo um pouco diferente. Até o km 14 estava acompanhado de um
amigo e aluno. Alcançamos um outro conhecido e percebi que eu estava correndo muito
mais forte que o planejado. Mais uma vez o receio de que aquele ritmo iria me
fazer pagar caro bem à frente.
Estava bem, não me preocupei tanto.
Abandonei a companhia de ambos e segui com minha estratégia(correr forte o
suficiente para não precisar abandonar a prova). Encontrava a todo o tempo
muitos conhecidos durante o percurso e em cada um deles eu encontrava novas
energias. Parecia mágico, tudo estava ao meu favor. Bom, isso até percorrer
32km quando estava próximo ao cruzamento com a Linha Verde, no shopping Cidade.
Dali em diante eu quis por muitas vezes caminhar ou até mesmo parar.
Continuava a encontrar conhecidos e ao
passar por cada um deles, eu ganhava uma injeção de ânimo, cada vez menor eu
confesso. Quando decidi que não podia mais, eu encontrei forças que vieram do
fundo de meu coração. No km 39 após ter superado o viaduto Colorado eu estava
acabado. Relutava em não parar mais até que cruzasse a linha de chegada e então
comecei novamente a correr forte. Meu ritmo aumentava e alguns amigos me
acompanhavam de bike nesse momento.
Quando adentrei a av. Cândido de Abreu e
vi lá na frente a linha de chegada eu sabia que havia chegado ao final. Corri
com os pés fora do chão, naquele momento eu apenas flutuava e esquecia todas as
dores carregadas até ali. Todo o público em volta, os aplausos, os gritos de
vitória, o sentimento de dever cumprido mesmo quando eu não podia. Chorei. Por
dor, por realização, por agradecimento. Essa experiência eu jamais irei
esquecer.