segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Maratona de Curitiba

Realizei há pouco mais de uma semana a Maratona Internacional de Curitiba, temida e desejada por muitos por ser a pior(maneira de dizer), ou estar entre as mais difíceis dentre todas as maratonas "normais" nesse nosso Brasil, quiçá pelo mundo afora. 

Era um dia normal, mas pra mim começou bem cedo. Às 3h30 da manhã meu celular despertava apontando a hora de sair da cama e iniciar de fato a preparação para a prova. A certeza de que faltou bastante treinamento me dava a tranquilidade acerca do que eu faria, ou seja, eu não iria em busca de fazer uma super prova. Queria, no entanto, fazer o melhor possível uma vez que ali me encontrara. 

Às 4h30 saía de casa com destino ao local de largada. Mais precisamente ao local reservado para as tendas de assessorias pois ali começaria para mim e para muitos a corrida daquele domingo. Terminamos a montagem e então bastava aguardar até que o momento de largada se aproximasse. Das 5h00 às 7h00 ficamos ali de conversa, recepcionando alguns alunos/atletas e então fomos para o portal.

Ali começou a bater aquele conhecido friozinho no estômago, afinal todos apenas retornaríamos àquele ponto após terminar os tão sonhados 42,195km. Partida da Elite, nos aproximamos e então soou nossa sirene. Foi dada a largada, muito boa sorte a todos! 

Quis começar um pouco mais forte para sair do bolo logo no início, mas o receio de gastar uma dose a mais de energia me fez recuar, então botei meu ritmo de prova desde bem cedo. Pelo segundo ou terceiro quilômetro eu já estava buscando o conforto suficiente para ir até o final daquele grande desafio. Aos 6km passamos outra vez próximos à largada, e então deu pra perceber que, de fato, faltava muita coisa a fazer e o caminho seria muito mais longo que o previsto. 

Sete, oito, nove km e percorríamos um trecho de certa forma conhecido, que fora o mesmo da meia maratona, em Agosto. De 11 em diante tudo um pouco diferente. Até o km 14 estava acompanhado de um amigo e aluno. Alcançamos um outro conhecido e percebi que eu estava correndo muito mais forte que o planejado. Mais uma vez o receio de que aquele ritmo iria me fazer pagar caro bem à frente. 

Estava bem, não me preocupei tanto. Abandonei a companhia de ambos e segui com minha estratégia(correr forte o suficiente para não precisar abandonar a prova). Encontrava a todo o tempo muitos conhecidos durante o percurso e em cada um deles eu encontrava novas energias. Parecia mágico, tudo estava ao meu favor. Bom, isso até percorrer 32km quando estava próximo ao cruzamento com a Linha Verde, no shopping Cidade. Dali em diante eu quis por muitas vezes caminhar ou até mesmo parar. 

Continuava a encontrar conhecidos e ao passar por cada um deles, eu ganhava uma injeção de ânimo, cada vez menor eu confesso. Quando decidi que não podia mais, eu encontrei forças que vieram do fundo de meu coração. No km 39 após ter superado o viaduto Colorado eu estava acabado. Relutava em não parar mais até que cruzasse a linha de chegada e então comecei novamente a correr forte. Meu ritmo aumentava e alguns amigos me acompanhavam de bike nesse momento. 

Quando adentrei a av. Cândido de Abreu e vi lá na frente a linha de chegada eu sabia que havia chegado ao final. Corri com os pés fora do chão, naquele momento eu apenas flutuava e esquecia todas as dores carregadas até ali. Todo o público em volta, os aplausos, os gritos de vitória, o sentimento de dever cumprido mesmo quando eu não podia. Chorei. Por dor, por realização, por agradecimento. Essa experiência eu jamais irei esquecer. 

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Long Distance Heróis do Triathlon - Uma Conquista e Tanto! (Parte II)

(Como dito anteriormente, darei aqui sequência à minha "história")

Retornei à beira-mar e logo estava na praia Mansa para dar início à corrida, que eu já sabia: seria bastante dura após 90km de ciclismo muito bem feitos. Iniciei a corrida super confortável, o que me foi uma tremenda surpresa pois esperava dificuldades em correr num bom ritmo mesmo com alta intensidade. Controlei meu pace e logo cruzei os primeiros 5,25km como se fosse um belo passeio.

Outros 5,25km vieram e senti um lampejo de dificuldade mas ainda conseguia controlar a intensidade, hidratando e alimentando sempre que possível, estava muito bem e a cada km notava uma diferença bem menor para aqueles que estavam à minha frente. Fechei a próxima e abri então a última volta de corrida. Seriam 5,25km difíceis, o sol fazia sua parte e não dava folga a nenhum dos atletas. Uma sensação térmica de 38ºC foi o que alguns disseram.

Comecei a fazer cálculos e percebi que eu poderia ali fazer o que tanto disse em brincadeiras: conquistar minha melhor corrida de Meia Maratona mesmo após um esforço tão grande causados pela natação e ciclismo. Especialmente os últimos 3km foram bem difíceis mas ainda suportei um ritmo próximo de 4’20/km. Ao pisar no tapete e cruzar a faixa do portal eu quase não acreditava que era real. Uma corrida impecável que, combinada com a natação e ciclismo me fizeram o 4º melhor atleta amador na prova.

Foram difíceis, duras, pesadas, mas as 4 horas e 35 minutos mais recompensadoras que já vivi. Uma competição perfeita aos meus olhos. Sempre cercado por amigos, treinador e conhecidos, que a cada volta gritavam meu nome junto a palavras de incentivo que me faziam sentir renovado.

Quando terminou, pensei que fosse desabar. Mas a injeção de adrenalina que experimentei foi algo incrível. Eu não sentia dor alguma, apenas um enorme cansaço. Adentrei o mar uma vez mais. Nesse momento foi um grande choque, acho que meu corpo devia estar próximo a 40ºC e a água bem gelada, mas foi uma sensação indescritível. Um misto de emoção, comoção, superação, uma vitória que eu sabia que seria rara a chance de repetir.


Eu planejei, projetei, mas realmente não esperava que fosse possível fazer uma prova tão “redonda”, perfeita. Essa mesma aposta por certo faziam meus amigos, pois pareciam se assustar a cada vez que me olhavam. Não acreditavam que eu havia feito tudo aquilo. E, de fato, eu custei a acreditar mas hoje eu bato no peito a dizer que fiz. E estou sedento pela oportunidade de fazer novamente mesmo sabendo que isso irá demorar muito a acontecer. 

Long Distance Heróis do Triathlon - Uma Conquista e Tanto! (Parte I)

Há quem não acredite na perfeição. Será que é mesmo possível ser perfeito em algo? Sim, não, talvez, jamais... não sei se creio em algo que seja perfeito, creio no entanto, que algo possa ser trabalhado, esculpido até beirar a perfeição, pode chegar ao ponto máximo de assertividade quanto a isto. Depende da ocasião e/ou circunstância, e algo pode sim se tornar perfeito mesmo que seja apenas aos olhos de uma única pessoa.

Nos últimos dias tive uma experiência que me provou mais uma vez que isso é possível. Realizei em 12 de Outubro, data esta muito mais do que especial, um triathlon de longa distância, o Long Heróis do Triathlon, disputado nas distâncias de um Meio Ironman: 1,9km Natação, 90km Ciclismo e 21km Corrida. Foi uma estréia na distância até então desconhecida, eu não fazia ideia de como ela seria, ou o que poderia acontecer durante todo percurso.
Iniciei a Natação muito confiante, larguei tranquilo e nadei em um ritmo de esforço, onde julgava estar entre um bom grupo de nadadores, talvez um segundo ou terceiro pelotão mas um bom grupo. 

Na primeira volta achei o tempo alto(16’40”) mas não me preocupei e segui na mesma tranquilidade de antes. Quando botei os pés na areia pela segunda vez em direção à área de transição para o ciclismo, meu GPS anotava 35’40”, algo muito acima do que planejei, bastante fora dos meus planos mas ainda havia muito a provar.

Adentrei a área de transição e notei que muitas bikes haviam saído, talvez mais do que imaginei que sairiam antes de mim. Capacete, sapatilha, alimentação, bike e pé na estrada. Entrei na beira-mar e logo ganhei a Alexandra-Matinhos com minha bike(a bike não era minha na verdade) seguido de perto pelo Luiz. Ele teve um problema com a bike e estava sem água, consegui auxiliá-lo por algum tempo e então passei a ditar um ritmo mais forte quando fiz o primeiro contorno na altura do km 18.

Dali em diante o vento aumentava aos poucos e conseguia manter mesmo assim uma boa consistência no ritmo, o que me permitia ultrapassar várias pessoas que haviam nadado muito melhor que eu, reduzia então a diferença para os líderes da prova. Ao cruzar pelo último contorno aos 72km, sabia que não restaria muito mais além da corrida e então acresci ainda um pouco mais a intensidade nos pedais.

Verificava nesse momento que o ritmo médio seria bem melhor do que havia pensado em fazer e, ao fim das contas, já havia equilibrado a diferença negativa da natação. Foram 2h27min de um ciclismo consistente, sem exageros mas também que não foi fácil.

(Continuo na próxima postagem, ainda vem muito por aí... boa semana a todos!)

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Até onde podemos chegar?

Nesse último final de semana aconteceu na Alemanha a Maratona de Berlim, onde o Keniano Dennis Kimetto superou o recorde dos recordes, com um ritmo médio incrível de corrida terminando a prova em 2h02min57s, um pace médio de 2’54”. Isso mesmo: 2 minutos e 54 segundos a cada quilômetro percorrido.

Sou um mero estudante e sei muito pouco do que se fala acerca dos parâmetros físicos, fisiológicos, psicológicos, acerca de nutrição, treinamento, disciplina e também vontade própria. Tudo isso, além de muitas outras variáveis são influentes diretos do rendimento esportivo e este é um dos motivos que me leva ao questionamento inicial desta conversa.

O corpo humano é dependente de uma série de combinações para que alcance seu ponto máximo de desempenho, mas até quando poderemos ver recordes derrubados cravando marcas cada vez mais baixas? É possível que por toda a eternidade esses parâmetros sofram alterações junto da evolução de nossa espécie ao decorrer do tempo?

Não sei, e o mundo científico também não pode afirmar com clareza o que acontecerá. Podemos no máximo fazer suposições, pois não sabemos em momento algum como pode o corpo humano se comportar no decorrer de uma competição qualquer que seja. Esperamos que sim, que estas marcas sejam superadas pois estas façanhas são o que nos causa ansiedade e desperta a curiosidade em apreciar eventos aleatórios.

Enquanto escrevo fico aqui imaginando: “caramba! 2’54/km, isso é insano”. Vamos clarear um pouco mais: é uma velocidade média de 20,34km/h, mantidos durante 2 horas, 2 minutos e 57 segundos. Bem, eu não sou fundamentalmente um corredor. Sou triatleta amador, mas tenho uma corrida considerada “regular”.

Fracionei esse ritmo para um ‘tiro’ de 400m para comparar de maneira mais paupável. Posso realizar em um tempo de 1’20” cada, suportando até 15 repetições, com um intervalo de pelo menos 45 segundos entre eles. No caso do Keniano, é como se Dennis tivesse realizado sucessivas 105 repetições ininterruptas de 400m em cerca de 1’12” cada uma delas. É mole?

Depois dessa, estou me sentindo meio lixo... mas tudo bem, eu não sou mesmo corredor(Ufa!!). É um feito histórico, e merece muitos aplausos. Mais um Africano com uma estrela de ouro na história das maratonas e mais uma vez com quebra de recorde, o que já parecia sobre humano. Até o próximo!

domingo, 19 de janeiro de 2014

Abrindo as Portas

Este blog, assim como minha preparação para as provas na temporada 2014 têm início efetivamente nesta semana, portanto farei desse espaço um meio de comunicação e exposição a tudo o que envolver minha preparação para as provas que irei disputar. E pretendo dividir com todos as minhas expectativas, conquistas e talvez até mesmo decepções.

Inicialmente não tenho um calendário tão repleto de competições, mas esse número pode aumentar conforme os dias forem passando. Vale ressaltar que sou um atleta amador, logo não tenho toda a disponibilidade de tempo que gostaria para poder aperfeiçoar as modalidades e fazer provas com maior frequência.

Dentro das três modalidades envolvidas no triathlon, tenho bastante a melhorar. Principalmente minha natação, que está bem distante das melhores, porém tenho conseguido me sair bem em algumas provas após desempenho razoável na parte inicial, que é justamente enfrentar as marés.

A preparação é simultânea e contínua, logo não dá pra deixar qualquer treino para trás. Logo em meu início, o principal foco era mesmo a natação, não havia dúvidas. Mesmo sem querer, acabei deixando meio de lado o ciclismo e corrida e claro, acabei ficando um tanto quanto 'defasado' em ambos. 

Notei logo que haveria de recuperar o que havia perdido, então voltei o foco para as duas modalidades que haviam ficado para trás, principalmente o ciclismo mas ainda sem descuidar da natação para que não houvesse uma perda tão significativa como antes. 

Melhorei o ciclismo, mantive a natação, porém ainda não reconquistei minha corrida ideal e é este o meu maior objetivo este ano. Continuar melhorando sempre, se possível no conjunto, com ênfase na corrida de curta e longa distância, já que um dos objetivos é completar em 2014 uma maratona. 

Poderiam dizer a essa altura um "boa sorte", mas não acredito muito nela, prefiro que seja um "bons treinos". Uma preparação bem feita é a base de tudo, pois a sorte pode até ajudar, mas sem estar pronto eu jamais poderei chegar até o final. A vocês obrigado pela companhia. Uma boa semana e sejam bem-vindos!